Malandro

Quando o mundo soube que seu avião de segunda linha e com excesso de peso  havia descido no Aeroporto Baldonnel em Dublin, 28 horas e trinta minutos depois, Corrigan não só estava ciente do que tinha feito, como também já voara direto para os corações do povo americano. “Sou Douglas Corrigan”, disse aos aeroportuários irlandeses que se reuniram assombrados à sua volta quando ele aterrissou. “Venho de Nova York. Onde estou? Queria ir para a Califórnia”.

SUZUKI JR., Matinas (org.). O Livro das Vidas - Obituários do New York Times, p.134-135. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. Tradução de Denise Bottmann.

Barbárie

(…) Um talibã fanático, quiçá louco, saltou para dentro da jaula de um urso e cortou fora seu nariz, achando que a “barba” do animal não era comprida o suficiente. Outro combatente, intoxicado pelos acontecimentos e por seu próprio poder, adentrou a cova do leão e bradou: “Eu sou o leão agora!”. O leão o matou. Outro soldado talibã atirou uma granada na cova, cegando o animal. O urso sem nariz e o leão cego, além de dois lobos, foram os únicos animais que sobreviveram ao regime do talibã.

WRIGHT, Laurence. O vulto das torres, p.257. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. Tradução de Ivo Korytowski.

Aniquilação

(…) Essa era uma visão generalizada em Ruanda, onde a depressão era epidêmica. O assim chamado instinto de sobrevivência é freqüentemente descrito como uma necessidade animal de autopreservação. Mas, uma vez que a aniquilação física é afastada, a alma ainda requer preservação, e uma alma ferida se torna a fonte de sua própria aflição; ela não pode cuidar de si mesma diretamente. Assim, a sobrevivência pode parecer uma maldição, pois uma das necessidades dominantes de uma alma carente é a de que necessitem dela.

GOUREVITCH, Philip. Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, p.222. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. Tradução de José Geraldo Couto.