Nenhum sentido

Muitas surpresas aguardam os diretores inexperientes. Iron não teve oportunidade de descobrir, ainda, que o papel fracassa diante das câmeras de televisão, que todas as expectativas são enganosas e nada pode ser tomado como certo.

ÖRKÉNY, István. A Exposição das Rosas, p.25. Ed.34, 1993.

Busca

(…) o quê, propriamente, eu vim fazer aqui? - por que é que me sentia tão estranhamente atraído e seduzido pela vida desse homem que desprezava a mim (”é evidente”, “é sabido”, como ele gostava de falar) e aos meus semelhantes? (…)

TSIPKIN, Leonid. Verão em Baden-Baden, p.206. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Leito

(…)  e ele ficou admirado com a brancura do corpo do morto e pelo fato de esse corpo, que agora não passava de uma carcaça, ter sido virado e colocado sobre a palha,  que nos trabalhos forçados, provavelmente, tantas vezes servira de cama para o agora ex-dono desse corpo (…)

TSIPKIN, Leonid. Verão em Baden-Baden, p.204. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Normalidade

E a alegria cedeu lugar ao tédio vulgar da vida cotidiana e ao sentimento de uma perda irreparável.

TCHEKHOV, Anton. Tifo in A Dama do Cachorrinho e Outros Contos, p.185. São Paulo: Ed. 34, 1999.

Homecoming

(…) it was terrifying to think that she might forget to breathe, and then she would die.

PLATONOV, Andrei. Dzhan in The Fierce And Beautiful World, p.49. New York: New York Review Books, 2000.

Barba ruiva

A senhora, querida mãezinha, conhece o pai e o caráter teimoso que ele tem; pois então ele fez o seguinte: tingiu descaradamente a barba ruiva de preto e foi à cidade de Maikop, à paisana, de modo que nenhum dos habitantes sabia que ele e o guarda rural do velho regime eram a mesma pessoa.

BÁBEL, Isaac. O Exército da Cavalaria, p.31-32. São Paulo: Cosac Naify, 2006.

Agrimensor

(…) teve de rir involuntariamente porque o cheiro era tão doce, tão acariciante, como quando alguém ouve elogios e belas palavras de uma pessoa a quem se quer muito bem e não sabe exatamente do que se trata, nem quer saber, mas está feliz com o conhecimento de que é essa pessoa que fala desse modo.

KAKFA, Franz. O Castelo, p.158. São Paulo: Companhia Das Letras, 2000.