Arte

(…) “Art corresponds to periods of stress much more than it corresponds to periods of well-being and leisure. There is no question that art is not being produced as a result of people having more spare time; it is being produced when all hell is breaking loose and people don’t have enought to eat.”

WRIGHT, Alex. Glut: Mastering Information Through The Ages, p.45-46. Washington DC: John Henry Press, 2001.

Malandro

Quando o mundo soube que seu avião de segunda linha e com excesso de peso  havia descido no Aeroporto Baldonnel em Dublin, 28 horas e trinta minutos depois, Corrigan não só estava ciente do que tinha feito, como também já voara direto para os corações do povo americano. “Sou Douglas Corrigan”, disse aos aeroportuários irlandeses que se reuniram assombrados à sua volta quando ele aterrissou. “Venho de Nova York. Onde estou? Queria ir para a Califórnia”.

SUZUKI JR., Matinas (org.). O Livro das Vidas - Obituários do New York Times, p.134-135. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. Tradução de Denise Bottmann.

Barbárie

(…) Um talibã fanático, quiçá louco, saltou para dentro da jaula de um urso e cortou fora seu nariz, achando que a “barba” do animal não era comprida o suficiente. Outro combatente, intoxicado pelos acontecimentos e por seu próprio poder, adentrou a cova do leão e bradou: “Eu sou o leão agora!”. O leão o matou. Outro soldado talibã atirou uma granada na cova, cegando o animal. O urso sem nariz e o leão cego, além de dois lobos, foram os únicos animais que sobreviveram ao regime do talibã.

WRIGHT, Laurence. O vulto das torres, p.257. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. Tradução de Ivo Korytowski.

Aniquilação

(…) Essa era uma visão generalizada em Ruanda, onde a depressão era epidêmica. O assim chamado instinto de sobrevivência é freqüentemente descrito como uma necessidade animal de autopreservação. Mas, uma vez que a aniquilação física é afastada, a alma ainda requer preservação, e uma alma ferida se torna a fonte de sua própria aflição; ela não pode cuidar de si mesma diretamente. Assim, a sobrevivência pode parecer uma maldição, pois uma das necessidades dominantes de uma alma carente é a de que necessitem dela.

GOUREVITCH, Philip. Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, p.222. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. Tradução de José Geraldo Couto.

Gato

Sophie, animada de repente por uma obscura, mas forte convicção de que sabia o que havia de errado em tudo, subiu correndo os degraus.

FOX, Paula. Desesperados, pg.42. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

Porte

Minha amante, com seu traje shakespeariano, estava tão perfeita, tão esbelta, tão compacta, que hesitei antes de abraçá-la; chego a pensar que foi uma ilusão — como se algum truque de computador de última geração tivesse melhorado a fita gasta de minha memória — o abraço que trocamos. Seu corpo forte, de ombros largos, com ímpeto atlético da postura na ponta dos pés descalços, apertou-se contra o meu com um ardor ameaçador.

UPDIKE, John. Memórias em Branco, p.256. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.