Aniquilação

(…) Essa era uma visão generalizada em Ruanda, onde a depressão era epidêmica. O assim chamado instinto de sobrevivência é freqüentemente descrito como uma necessidade animal de autopreservação. Mas, uma vez que a aniquilação física é afastada, a alma ainda requer preservação, e uma alma ferida se torna a fonte de sua própria aflição; ela não pode cuidar de si mesma diretamente. Assim, a sobrevivência pode parecer uma maldição, pois uma das necessidades dominantes de uma alma carente é a de que necessitem dela.

GOUREVITCH, Philip. Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, p.222. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. Tradução de José Geraldo Couto.

2 Comments to 'Aniquilação'

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  1. tiago a. said,

    dos livros de não-ficção, acho que este é o que minha namorada mais insiste para que eu leia. um dia, farei isso, certamente.

    bom ver que o blog não morreu e que você passou a dar o crédito aos tradutores. :)

  2. Bruno Galera said,

    Tem que ler, Tiago. Levei anos pra comprar, mas valeu muito a pena. Tem edição de bolso da Companhia das Letras, aquelas muito bem cuidadas e diagramadas. O problema maior é que o pocket substituiu a versão normal: não se acha mais em lugar nenhum, o que é uma pena. Esse livro merece ser comprado em capa dura, se possível.

    Bom que ainda tenho leitores. E a sugestão de crédito aos tradutores foi excelente!

    Abraço!

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