(…) Um talibã fanático, quiçá louco, saltou para dentro da jaula de um urso e cortou fora seu nariz, achando que a “barba” do animal não era comprida o suficiente. Outro combatente, intoxicado pelos acontecimentos e por seu próprio poder, adentrou a cova do leão e bradou: “Eu sou o leão agora!”. O leão o matou. Outro soldado talibã atirou uma granada na cova, cegando o animal. O urso sem nariz e o leão cego, além de dois lobos, foram os únicos animais que sobreviveram ao regime do talibã.
WRIGHT, Laurence. O vulto das torres, p.257. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. Tradução de Ivo Korytowski.
(…) Essa era uma visão generalizada em Ruanda, onde a depressão era epidêmica. O assim chamado instinto de sobrevivência é freqüentemente descrito como uma necessidade animal de autopreservação. Mas, uma vez que a aniquilação física é afastada, a alma ainda requer preservação, e uma alma ferida se torna a fonte de sua própria aflição; ela não pode cuidar de si mesma diretamente. Assim, a sobrevivência pode parecer uma maldição, pois uma das necessidades dominantes de uma alma carente é a de que necessitem dela.
GOUREVITCH, Philip. Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, p.222. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. Tradução de José Geraldo Couto.