Big Muff

Um blog de aleatoriedades sem um objetivo concreto. Por Bruno Galera.

18.07.08

Não leio mais nada

Descobri nesse minuto (10:12 a.m.) que vai ter um show do CONOR OBERST no Santander Cultural NESSE DOMINGO.

Estou transtornado. Preciso conseguir um ingresso imediatamente.

Atualização: rolou. Iremos muito.  

05.07.08

Benchmark

Já disse que Leslie Feist é a maior cantora, artista e performer da atualidade, né? Sim, eu já disse.

Destaque para a fusão de John Lennon com Eric Clapton deprimido no coro, ao fundo. E bom, tocar banjo de terno e sapato branco também é um ponto alto a se considerar.

04.07.08

Alerta necessário

Esse comercial do novo Gol com a Gisele Bündchen com sotaque de lugar nenhum e o STALLONE TODO DESGRAÇADO é o mais grave atestado de abuso de heroína pelo mercado publicitário brasileiro.

04.07.08

Bacia

Bom, estou definitivamente de volta a Porto Alegre. Emprego novo, vida nova, essas coisas.

Ufa. Acho que os últimos quatro meses foram os mais corridos da minha vida. Valeram a pena, como agora vale estar de novo perto da família e dos amigos.

Do alto da curtíssima experiência como caixeiro viajante, atesto: ter um lugar para chamar de casa (e poder habitá-lo com freqüência satisfatória) é algo fundamental na vida de uma pessoa. Menos o lado material, mais o tecido de relações mesmo.

E segue o baile.

28.06.08

Rei do mundo

Boa entrevista com Shigeru Miyamoto na Wired. Ótimos insights do gênio sobre o futuro do videogame e das interfaces em geral.

26.06.08

Solo de pocilga

Estou totalmente obcecado com músicos autodidatas habitantes de grotas, pântanos e charcos dos Estados Unidos. E que, obviamente, tenham sido dignos o suficiente de jamais gravar mais que um disco.

Dessa estirpe, merecem destaque Scott Dunbar e Robert Cage. O primeiro jamais viajou para mais de 100 milhas além da sua casa, e fez seu primeiro instrumento com 8 anos, juntando caixas de cigarro e fios aleatórios encontrados no lixo. O outro, toooootalmente transtornado, não pode ser descrito em palavras, mas isso aqui ajuda:

ÚNICA BANDA POSSÍVEL. Quando ele aparece dando uma banda na frente do pântano com uma ceva na mão, começo a chorar sem parar.

Mais pode ser lido e ouvido neste blog. Recomendo baixar, escutar e repensar toda sua existência até aqui.

23.06.08

Fiquei surdo daqui

O fim do mundo começou, e eu estou muito longe de poder admirá-lo. O Arlen tinha me avisado, mas o comentário dele ficou preso no anti-spam desse blog por algum motivo torpe.

Já tinha lido uns relatos sobre o retorno do My Bloody Valentine, mas a primeira frase desse artigo da Pitchfork me fez ficar de olhos marejados:

This is the first gig I’ve been to where almost everyone in the audience hoped and expected to leave in pain

Se algum conhecido meu tiver o privilégio de vê-los ao vivo, não me conte. Simulei mentalmente a facilidade com que me tornarei violento, e isso me deixou assustado.

23.06.08

Você sabe que está obcecado por metal quando…

…descobre que o disco do Emperor no repeat que toca na sala ao lado na verdade não passa do ar condicionado central agonizando.

08.06.08

Last action heroes

Já tinha esquecido do show do Megadeth quando o Hermano me ligou oferecendo ingresso. Tinha achado que seria depois do dia 15. Como por essa data já terei ido embora de São Paulo, meio que desencanei da fixação de que não poderia perder, sob hipótese alguma, Pato Donald rosnando com suas flying Vs pela terra brasilis.

No caminho, pela Marginal, um Corsa branco encostou no nosso táxi e perguntou se sabíamos como se fazia para chegar no Credicard Hall. Fora de mim, imediatamente mandei um lml, e os passageiros começaram a berrar MÉGADÉFI. Primeiro detalhe sociológico da noite: todos os metaleiros do carro tinham cabelo curto.

Chegando no local, praticamente só nós vestíamos outras cores que não preto. Crucifiquei-me por não ter levado a câmera, pois a placa anunciando as atrações da semana exibia exatamente o seguinte: “06/06 - Megadeth; 07/06 - Fundo de Quintal”.

Pisamos na escada rolante que levava ao camarote (sim) e já soaram os primeiros acordes. Confortavelmente sentados, fomos obliterados por cinco petardos sem nenhum intervalo, que devem ter somado uns 30 minutos. Segundo detalhe sociológico da noite: um tiozão dos seus 45 anos, sentado ao nosso lado com a sua esposa, fazia air drumming em todas as músicas.

Pausa para um pouco de contexto.

Não omito que não escutei Megadeth na juventude. Eu tinha um gosto musical bizarro nessa época, e logicamente não assistia à MTV. Além do mais, para alguém que considerava Metallica banda de viado, não fazia muito sentido ouvir qualquer coisa que não fosse gutural ou Rap Brasil (sim II).

Voltemos.

O som estava bom e alto pra cacete. No entanto, vi que no fim da bateria de terror, Mustaine chegou junto ao cara da mesa de som e começou a gesticular. Captei um down, down, e percebi que algo estava muito errado. Não deu outra: no meio de uma sonzeira, o cara simplesmente abandonou o palco. Acho que havia problemas no retorno. Tanto que há um comunicado no site oficial da banda sobre isso, em que Renatah Sorrah afirma que essa foi apenas a segunda vez em toda a história que se viu obrigado a abandonar a função no meio de uma performance.

Chuto que o show ficou parado por uns 20 minutos. A platéia, que estava quente com a roda de pogo que, pelo que enxerguei do alto, envolvia no mínimo soco na cara, começou a ficar impaciente. Tênis pararam de pousar acidentalmente no palco, adquirindo um caráter de projétil deliberado.

Talvez percebendo o clima meio tenso, a banda voltou acavalando hits. E tome In My Darkest Hour, Hangar 18 (quase faleci), A Tout Le Monde e Tornado of Souls. Nesse momento comecei a refletir a respeito de um fato bizarro: por que bandas de metal tocam sem NENHUM pedal visível no palco? Várias vezes houve variação de volume, efeitos e canais, o que seria impossível de fazer de forma remota. Os caras deixam para que os roadies pisem no footswitch? Nenhum sentido.

Duas coisas sensacionais foram constatadas. A primeira: as pessoas, na sua maior parte, não cantavam as letras, mas os riffs. Isso foi muito marcante em Symphony of Destruction. A outra é que em momento algum Mustaine tentou falar em português, derrota cometida por 11 entre 10 artistas que vêm ao Brasil. Cala a boca e toca essa guitarra, impropério direcionado por Eduardo Menezes a Marcelo Camelo num show do Los Hermanos que se estendia em declarações gratuitas, seria a única resposta possível caso isso ocorresse.

Saldo final: um pouco de surdez, algum êxtase juvenil injustificado e felicidade geral por ter visto um show digno na terra da Mallu Magalhães.

05.06.08

Eugenio Hackbart = O Messias

Depois de ler esse post no blog da Metsul, comunico a todos que encerra-se a minha existência terrena. Estou tentando parar de chorar sangue, mas é totalmente impossível [gracias, Rico].

03.06.08

Que turbulência que nada

Hoje peguei o melhor vôo desde que comecei a transitar com freqüência em aeroportos. Acordei 4:30 da manhã. A noite ainda era densa e chovia um pouco, prenunciando que a neblina não viria tão cedo. Cheguei no Salgado Filho tranqüilamente, fiz o check-in na Ocean Air e fui comer algo.

O embarque atrasou uns 20 minutos. Logo que todo mundo sentou, o comandante começou a explicar o motivo da demora. Percebi um ALERTA e decidi solicitar uma manutenção. Hmm. Nada muito bom a se dizer para alguém que passa 100% da viagem totalmente paranóico.

Sempre peço lugar na janela, mas hoje o assento era de livre escolha. Pela primeira vez, sentei muito na frente, na fileira 3. Por reflexo, sempre acabo no fundão, onde o barulho é ensurdecedor. Foi muito bizarro não escutar NADA durante o percurso, como se estivéssemos flutuando por cima de tudo. Não sabia que existia a possibilidade de não ter o ouvido triturado durante uma hora e meia e fiquei contente.

O piloto, aliás, mandava ver: alertou para o fato de que sacudiríamos um pouco, porque O FAMOSO CICLONE EXTRA-TROPICAL, que vocês vêem na imprensa, vai passar do nosso lado. O feedback foi sendo tão ativo e o deslocamento tão suave que nem consegui começar a me preocupar. Seguidamente, o cara abria a porta da cabine, dava uma banda e ia tomar um suco de laranja. E voltava para largar mais umas barbadas: nossa equipe é jovem, porém bela e simpática. E por que não, experiente!

No momento de preparar os carrinhos com bebidas e comida, vi que uma das comissárias ficou cantando e fazendo umas dancinhas, totalmente emocionada. Fiquei realmente contente de ver que, mesmo no horário bizarro e em situação climática adversa, todo mundo transmitia uma calma e naturalidade exemplares.

Passando um pouco de Florianópolis, o tempo abriu muito rápido e deu lugar a um edredon de nuvens, que depois se revelou cheio de escarpas e formas montanhosas. Parecia a vista de cima dos alpes, ou uma fotografia de geleiras se desmontando. Nunca vi nada igual.

Por via das dúvidas, sempre pedirei assento perto da porta de entrada e sairei o mais cedo possível, de preferência na madrugada.

27.05.08

O último apague a luz

Xinho descreve com precisão a situação atual do Rio Grande do Sul.

Cometeu apenas um deslize: para virar o Uruguai, o povo gaúcho precisa ser educado, ainda.
Isso está muito longe de acontecer, especialmente quando comparado à dignidade que norteia o comportamento de quase todos os uruguaios.

Mas, pensando bem, isso não tem nada a ver com o RS: é apenas um raio-x perfeito de todo o BraZiU. Vivemos na democracia mais representativa do universo. Eu, você e todo mundo que respira aqui somos Severino Cavalcanti, Roberto Jefferson, Paulinho da Força Sindical e Hildebrando da Motosserra. Lamento, mas é a única realidade e a que estará para sempre no nosso DNA. Nunca vai mudar.

26.05.08

Quatro rodas

Entre quinta-feira e esse domingo, dirigi pelas primeiras vezes pelas ruas de São Paulo. Quanta alegria poder trafegar por uma malha intuitiva e bem sinalizada.

No feriado, tinha que chegar a Congonhas saindo do Sumaré só com poucas lembranças do trajeto antes percorrido por táxi. Nenhum problema.

Hoje saí do mesmo bairro até a Berrini, só tendo uma ou duas ruas como referência. O guia cheio de mapas nem precisou ser aberto, graças às placas onipresentes e extremamente eficientes.

Fico pensando na minha situação se estivesse em Porto Alegre, cidade cuja entrada contém a placa LAMI - LITORAL - VIAMÃO, com todas as setas apontando para a mesma direção. Essa mesma e única indicação é repetida uns dez quilômetros depois, onde o motorista já vai estar perto do antigo Estaleiro Só. Absolutamente nenhum sentido.

Aliás, é incrível como Viamão engloba toda a capital gaúcha. Se você se perder na Bento Gonçalves, vai cair em Viamão. Se passou do ponto na zona sul, irá fatalmente aparecer em Viamão. Experimente pegar uma transversal equivocada na Protásio Alves, e não restará dúvida de que Viamão estará muito próxima. Em todos os casos, é muito provável que exista uma indicação do tipo AEROPORTO - PORTO SECO - BELÉM NOVO, sem nenhum contexto possível.

20.05.08

Tele-prompter

Esse post corre o risco de ficar obsoleto nas próximas horas, mas a pergunta segue pertinente: como o anúncio da queda de um avião da Pantanal em cima de um prédio da zona sul de SP vira um incêndio numa fábrica de colchões? Isso acaba de acontecer na capa dos três principais portais de notícias do Brasil.

09.05.08

Algum ódio

Algo que me incomoda muito: serviços na web que assumem a língua que eu quero ler. Tipo o Last.Fm, que eu adoro, mas se acha muito inteligente em me obrigar a ler um português terrível no seu software, alheio à minha vontade. Não descobri até agora como mudar isso, e faz tempo. No site, depois de algum tempo sem logar ou de limpar os cookies, ele também me empurra a versão tupiniquim, mesmo eu tendo feito no passado a opção de acessar sempre em inglês.

Outra coisa: grandes livrarias e seu amadorismo cômico em atender necessidades básicas de clientes. Exemplo: ontem fui às Livrarias Curitiba, peguei um volume bonito e caro, e vi que a lombada estava toda mastigada. Pedi para trocar, o volume bonito, caro e de grande editora, e os caras não tinham mais nenhuma cópia além daquela do mostruário. E a vendedora ainda ficou desolada por eu dizer que não ia comprar só por causa disso.

Ainda em livrarias, algo que acontece especialmente na Cultura: tem, mas precisa encomendar. Sério, isso é a maior demência de todo o universo. Não tem o maldito livro, seu desgraçado. Por isso que, cada vez mais, só faz sentido comprar essas coisas pela Internet. Agora que todo estabelecimento comercial está virando empresa de logística, ir a uma loja física está cada vez mais contraditório. Good times, bad times.



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