Um blog de aleatoriedades sem um objetivo concreto. Por Bruno Galera.
Mais um conflito bizarro renova meu interesse pela Rússia. Se for pros lados do Mar Negro, então, já era: fico totalmente obcecado em ler tudo a respeito.
Meu fascínio pelo continente-país começa, claro, pela literatura. Mas ele foi se fortalecendo na medida em que fui conhecendo mais o cotidiano do lugar através dos séculos, graças a belas reportagens e ao noticiário diário.
Se o humor nasceu com Gogól, como sabiamente disse algum russo quando fez um livro de 800 páginas sobre a origem do riso, também vem dele a síntese perfeita do caráter e dos costumes desse povo gigantesco e assustadoramente unificado. Óbvio que as guerras do separatismo estão aí para me provar o contrário, mas quem tomou contato com todo tipo de relato escrito sabe do mítico conceito de ALMA RUSSA, um sentimento bizarro que envolve nacionalismo e nostalgia infinita de absolutamente tudo, mesmo que isso seja uma casa sem calefação a -50 graus numa parte da Sibéria onde a chuva é cor-de-rosa por causa da radiação (tudo verdade).
Todo fã de Gogol Bordello é alemão (dica: evite)
Gogól, com seu humor demente que na verdade é a perfeita tradução de tudo isso, nos faz pensar em limites entre fantasia e realidade na literatura. “Não pode ser, é tudo metáfora, ninguém pode ser assim”. Textos jornalísticos corroboram tudo que ele descreveu em Tarás Bulba, por exemplo, o que mantém um que outro queixo caído em perplexidade.
Ser alertado pelos mestres russos não é o suficiente. A bizarrice da Chechênia é incomparável. Um lugar que conseguiu reunir seitas proto-muçulmanas que misturam cabala e rituais místicos totalmente sem sentido. Alguns líderes da região são temidos pelos talibãs com mão de gancho do Afeganistão, o que não me deixa nem especular sobre o nível de periculosidade daquela região. Adicione tropas moscovitas perdidas há 20 anos entre o Azerbaijão e a Geórgia, sem comida e sem munição, mas que mantêm um museu sobre Tolstói perdido no meio do absolutamente nada, mais a tradição militar clássica do “vamos matar todos eles” mantida com dignidade por Vladimir Putin.
Só pode ser o lugar mais interessante da Terra. Pena que tanta gente morra por bobagem só por causa disso.
Os Russos só vão parar de explodir tudo quando restar meia dúzia de casebres fumegantes. Depois ainda vão jogar sal grosso em cima do terreno.
Vide Berlim, Chechênia, Praga, etc, etc, etc.
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País de separatistas e gaúchos tudo a ver!
olá. voltei aos blogs.