Um blog de aleatoriedades sem um objetivo concreto. Por Bruno Galera.
Tirando um pequeno atraso que não comprometeu em nada, o show do Conor Oberst com a Mystic Valley Band foi impecável. O setlist variado, com muitas músicas do Bright Eyes, fez a platéia ficar bastante satisfeita com a oportunidade de ver um artista tão contemporâneo na cidade oficial das reunion tours.
Acho que folk é um termo tão vazio quanto o emo para descrever uma banda. No entanto, a operação preguiçosa que meu cérebro tem seguido ultimamente não conseguiu achar nada mais adequado para abordar o tema.
Oberst tem todos os predicados de um emo/indie dos bons: cabelo liso bagunçado com certo esmero; é um magricelo com voz afetada, que compõe letras bastante confessionais. Do folk, ele traz a preferência por contar histórias e violões dedilhados, muitas vezes puxando por Bob Dylan (desça alguns tons de “First Day Of My Life” e terá alguma semelhança com o clássico “Don’t Think Twice, It’s Alright”). Claro, isso não é o suficiente para que seja rotulado como o substituto do velho Zimmermann, bobagem dispensável dita em mil textos sobre o rapaz de Nebraska.
Sobre o show em si, foi interessante ver a dinâmica de uma banda composta por violão/guitarra, bateria e teclados/sopro. Todos os instrumentos eram percebidos com muita clareza, depois de superado o impacto inicial da reverberação de catedral proporcionada pelo átrio do Santander Cultural. O efeito na verdade deu um ar de grandiloqüência a uma formação enxuta, o que foi bastante bem-vindo. Músicas de arranjos mais megalomaníacos, como “Four Winds”, jamais pecaram pela simplicidade com que foram apresentadas ao vivo, parecendo na verdade naturais em seu estado mais bruto.
Não foi nada revolucionário, mas uma boa chance de testemunhar um artista que esgota ingressos facilmente em qualquer lugar do mundo. E que simplesmente é muito bom, problemas de semiótica à parte.
vi o show aqui. foi fantástico. concordo em cada ponto desse texto de merda.
Muito bom, Bruno. Pra quem não teve chance de ver o show, teu comentário me atualizou, com o texto elegante de sempre. Quando crescer quero escrever como tu. Abração.
[...] Como não irei, resta o consolo de ler o post que certamente o Bruno vai postar ainda amanhã no blog. [...]