Um blog de aleatoriedades sem um objetivo concreto. Por Bruno Galera.
Acabo de encerrar as 528 páginas de O vulto das torres, de Lawrence Wright. Estou procurando elementos que provem que estou em enganado em considerá-lo o melhor livro que já li na vida. Talvez seja o exagero do arrebatamento, pois larguei o calhamaço menos de uma hora atrás.
Além de uma pesquisa jornalística fora de série, os personagens são tão assombrosos que o velho clichê parece estar tornado-se norma: a realidade é sempre mais absurda do que a ficção.
Escolhi apenas uma das passagens tragicômicas para destacar, mas não teria tantas, na verdade. O autor tem um estilo sóbrio e, percebe-se, evitou sensacionalismo desenfreado. Não seria difícil lidando com terroristas fanáticos que acreditavam que Monica Lewinsky era uma enviada de Israel para arrasar com Clinton por ele estar demonstrando compreensão excessiva com a causa palestina.
A tragédia, que remonta as origens do fanatismo islâmico ainda na década de 30, é retratada de uma forma tão objetiva que angustia a cada parágrafo. Sabemos o desfecho, mas não como ele será contado. E Wright comete a indecência, o cúmulo da implacabilidade, ao relatar o 11 de setembro de 2001 em apenas cinco páginas. Não parece justo, mas é apenas assim. E isso é uma ousadia quase intolerável.
Existe um filme pouco assistido, pesadíssimo, que mostra a face mais terrível do que ocorreu no Afeganistão nos tempos do talibã. Se chama Osama, e traz muito daquilo que este livro decidiu não focar: o mal puro e simples, sem nenhuma explicação possível.
Vou anotar a dica.