Um blog de aleatoriedades sem um objetivo concreto. Por Bruno Galera.

Mau layout. Refaçam. Imagem retirada deste blog genial.
Já comentei por aqui algumas vezes meu apreço pelas idéias de usabilidade, acessibilidade e padronização, tudo num pacotão só. Em voga na web, o assunto tem gerado discussões saudáveis e revisões de algumas certezas bem confusas que dominavam a prática de fazer sites há muitos anos.
A melhor coisa que tudo isso gerou, pelo menos do lado do realizador, é a noção de separação de conteúdo, formatação e intervenções dinâmicas (sejam ações ou inclusão de informações provenientes do banco de dados). Dessa forma, temos o trabalho dividido de acordo com a competência de designers, editores e programadores. O trabalho de um interfere no produto final, mas não estraga o que importa para o outro.
O exemplo mais clássico disso é o CSS Zen Garden, onde o layout é brutalmente modificado via folhas de estilo sem mudar uma linha do código HTML. No caso do programador, seria só o caso de chamar um arquivo .js contendo todas as instruções pertinentes ao comportamento do site (validação de formulários, rotação de banners, etc) ou incluir pequenas marcas que chamam a informação da base de dados (seja em CGI, PHP ou qualquer outra linguagem). Assim, temos um esforço fracionado orientado a um objetivo comum, onde nada se contamina durante o processo para que um resultado homogêneo seja entregue ao usuário final.
Apesar dessas idéias estarem rolando há um bom tempo, poucos executivos da área pararam para prestar atenção. Isso fica comprovado em anúncios de emprego cada vez mais obtusos, onde se requer um webdesigner que domine ferramentas gráficas, editor de HTML, Flash, javascript e, se souber algo de PHP e ASP, melhor ainda!
Só que isso não faz sentido algum. Se já é difícil achar um grande criador e realizador em Flash e Photoshop, o que dirá de um indivíduo que, além de possuir as habilidades para fazer ótimos layouts e animações, ainda saiba programar perfeitamente para qualquer fim?
Isso só tem um motivo: desconhecimento total de como é feito um website. Em última instância, também é uma ignorância em relação ao funcionamento e a dinâmica multimídia (logo, multitarefa) da Internet. Isso é totalmente admissível a clientes e usuários, que só precisam da experiência proporcionada pela interface. Mas que credibilidade tem um gestor que não sabe nada sobre o negócio que comanda?
Nesse panorama, tem-se profissionais sobrecarregados por tarefas que não deveriam desempenhar. Muitas vezes estes até possuem a capacidade técnica para tal, mas renderiam muito mais se direcionados apenas para um dos três ramos mencionados anteriormente. Numa arquitetura mais adequada, talvez três pessoas rendessem mais e melhor do que dez fazendo de tudo um pouco.
Separar conteúdo, layout e programação me parece, muito mais do que segregação de funções, um caminho lógico para uma visão sistêmica de qualquer site. Chego a esta conclusão depois de fazer uma longa volta no que seria o tema original do post: acessibilidade, usabilidade e padronização estão pausterizando o design.
Em seguida.
Tema interessantíssimo. Aguardo ansiosamente o próximo post.
em alguns casos, conhecimento de outras áreas pode ajudar todos os envolvidos no processo. um designer craque em Photoshop e Illustrator que não entende nada de HTML ou CSS pode complicar desnecessariamente a vida de quem vai implementar o layout (já passei por isso algumas vezes).
não é o caso de se querer que designer meta a mão em código, ou que programador saiba usar Photoshop. mas é como um redator publicitário que deve ter noção se uma idéia pode ser implementada como ele quer, dentro do prazo e do orçamento, e também precisa saber explicar o que ele quer do diretor de arte. ter um mínimo de conhecimento sobre a outra área pode tornar o processo ainda mais fácil.
o que não quer dizer que, na maior parte dos casos, os gestores realmente não entendam direito o que pedir de seus comandados.
Concordo contigo, Solon. Conhecimento adicional sempre é benéfico. O único problema é delegar tarefas extras pra um designer só porque ele tem noções básicas de javascript, por exemplo. Ele vai fazer scripts capengas que provavelmente funcionarão, mas que podem render dor de cabeça no futuro (seja por alterações no comportamento do site, defasagem das instruções, etc).
Também reforço o que disse no post: não é questão de segregar funções (essa bola é minha, de mim depende o jogo). O importante é delegar a parte certa para a competência adequada. Havendo diálogo e entedimento (até mesmo técnico) entre as partes, melhor ainda.
“mestre” seria o irmão do oscar?
Eu tentei abordar esse tema na mono rapidamente.
Na verdade é como em qualquer área. Se tu vai fazer um filme por exemplo existem vários especialistas e não um cara que faz tudo.
não - não seria eu, mas outro farsante
[...] Noutro post um tanto confuso, comentei que gostaria de falar sobre a pasteurização de layouts em tempos de Web 2.0 e padrões de acessibilidade e usabilidade. Ainda perdindo perdão por eventuais turbulências de raciocínio, gostaria de tocar no assunto. [...]
[...] algum tempo atrás, eu havia escrito um texto no meu blog pessoal que comentava os benefícios do desenvolvimento em camadas. Achei que ficaria um pouco constrangido em reler, mas tanto ele quanto a discussão (curta) que se [...]