Big Muff

Um blog de aleatoriedades sem um objetivo concreto. Por Bruno Galera.

04.01.09

Renda-se, terráqueo

Ganhamos uma máquina de pão. No início, sempre fui cético sobre a utilidade do aparelho. Pensava que era apenas um eletrodoméstico supérfluo que, quando adquirido, estaria fadado ao mais completo esquecimento em questão de semanas.

Não é o que deve acontecer, a julgar pela primeira experiência. É simplesmente fantástico seguir as receitas incluídas no manual. Despejar um monte de ingredientes dentro da fôrma, ligar um botão e ver a massa tomando forma não tem preço. Depois de muito sacolejar de um lado para o outro, o bolo de farinha e fermento descansa por mais algum tempo, até de fato ser assado. O processo de um pão simples leva três horas, e pode ser programado para iniciar quando quisermos.

Jamais imaginei que o produto final pudesse ter uma consistência e um sabor tão satisfatórios. É certamente superior a 83% de todos os pães produzidos em Porto Alegre, que certamente tem algumas das piores padarias de todo o país. E ter um processo tão automatizado faz com que se queira ainda mais produzir em série, testando novas possibilidades sempre que houver um tempo a mais disponível. Há de tudo: pães recheados salgados e doces, panetones, cucas e toda sorte de bolos.

Se houvesse um similar para produzir cerveja caseira da mesma qualidade, eu teria ainda menos motivos para ir até o supermercado. Será que um dia?

18.12.08

São José no limits

Ainda não estive na Pousada Fazenda Cachoeirão dos Rodrigues, mas já estou com saudades de lá.

Explique-se: passarei uns dias em São José dos Ausentes entre o Natal e o Ano Novo. Abortada uma viagem pelo litoral do Uruguai, pareceu-me que pegar uns 15 graus à noite em pleno verão seria uma dádiva e tanto.

Pois o que me deixa saudoso não é a promessa das paisagens exuberantes e todos os bons relatos que ouvi até hoje. Sinto nostalgia em relação ao jeito como fui atendido por dona Rosane, proprietária e moradora do local.

Ligando para ela e confirmando a reserva, sou acossado: vocês vão chegar pro almoço, né? Domingo sempre fazemos um churrasco. Incerto, tentei remendar: é, acho que dá, sim. Não pensou muito: tá, se vocês aparecerem depois do meio dia, EU SEPARO UM ESPETINHO PRA VOCÊS.

Devolva a minha alma, dona Rosane.

02.12.08

Bonnie Prince Billy em Porto Alegre

Não sou fã de carteirinha e não conheço 93% das músicas, mas eis um relato sobre o show do Bonnie Prince Billy em Porto Alegre. Rolou no último domingo, dia 30 de novembro.

Foi um belo show. O mais longo que já vi no Santander, acho que bateu uma hora e quarenta e cinco minutos.

Tocou alguns “hits”. Não gostei muito da versão de I See A Darkness nem de A Minor Place. Mas ver essas músicas ao vivo foi muito sensacional. Strange Form Of Life, no entanto, quase me fez cair da cadeira.

Houve várias do Ease Down the Road, que não é tão conhecido, mas que ficou bom tocado só com ele e o carinha do lado (que mandava ótimos backings de guria e uns violões aleatórios quaisquer).

Das mais matadoras foi Wolf Among Wolves, ficou lindona. Master And Everyone também. Daniel PR, fora de controle, gritou por Gulf Shores e ele atendeu lá no bis. Foi outro ponto altíssimo da noite.

O cara tava com uma barba grotesca, camisa vermelha e umas botas chinelas. Ver aquele URSO CARECA literalmente UIVANDO ao vivo foi uma experiência bastante singular. E por 10 reais, ainda é muita covardia. Com Radiohead por aqui em março, nunca mais preciso sair do país pra ver qualquer show.

Nenhum dos vídeos desse post é do show de Porto Alegre, mas vi pelo menos uma pessoa filmando direto. Em breve devem cair no Youtube.

20.11.08

Aqui está a prova

Laerte está com um blog (importante reforçar, maior artista vivo nesse país) onde publica a série de tiras do Minotauro. Nada mais importante acontecendo no mundo, no momento.

10.11.08

Vivo

07.11.08

180 em segunda

Ontem fui pegar um táxi e fiquei surpreso: o cara me aparece com um Ômega. Não desses novos, mas os clássicos. No mínimo estranho nessa época de carros financiados em 183 vezes.

Entrei no auto e o motorista era um gurizão. Cara, que carro sensacional, eu falei. Tu tá andando numa raridade, véio: é o último Ômega da praça. 95, a gás, bancos de couro, se não me engano. Incrível.

Fui batendo papo. Não sou muito ligado nisso, mas não tive como evitar de só falar do possante durante o trajeto. O Rodriguinho, dono da placa, pegou um passageiro por esses dias que disse ‘legal esse banheirão’. O Rodriguinho respondeu ’se vê que tu não entende porra alguma de carro’. E fomos falando sobre como era estranho um veículo daquele porte num trânsito pesado, mas como era incomparável um motor 4.1 e mais de 350 mil quilômetros sem fazer um barulho.

Pouco antes do meu destino, o motora me confirma que a viatura está com os dias contados. O óbvio e inevitável, já que a lei não permite táxis com mais de 15 anos de praça rodando pela cidade. Não fiquei triste, mas me senti um privilegiado por ter compartilhado uma experiência que está prestes a desaparecer.

04.11.08

Sabatina fracassada

Ontem vi um trecho da entrevista que o David Lynch deu ao Roda Viva, na Cultura. Poucas vezes na minha vida fiquei tão constrangido.

Pessoalmente, Lynch é o que se pode chamar de um velhinho batuta. Todo gentil, fica bastante emocionado ao falar sobre meditação transcedental. Filmes não parecem ser tanto do seu interesse, já que ele tem uma visão um tanto mais ampla no que se refere a expressões do ser humano.

Pois bem: a demência intelectual brasileira não podia se ausentar deste momento. Perguntas envolviam um boicote perpetrado por Hollywood (resposta: não sou boicotado), cinemão-americano-ui-ui-ui-armas (resposta: não vejo nenhum cinema, não só americano) e coisas assim. Quando chegava alguma coisa sobre, sei lá, a política na sua arte, rapidamente ele dava uma escapada e voltava, todo serelepe, à alegria de falar sobre a cura do universo. Ninguém parecia aprender, mas tudo bem, seguia o baile.

Lilian Wite Fibe, entretanto, estava totalmente fora de si. Perguntou sobre um filme chinês que ele estaria produzindo (resposta: estou fazendo uma parceria com o Jodorowsky, que não é bem chinês, na real). Disse que ele não tinha gostado muito do filme do Twin Peaks (resposta: eu amei fazer aquele filme). Enfim: totalmente desinformada, e tentando botar uma banca lamentável de que mas numa entrevista do senhor que eu li, você dizia que…

Coisa triste estar na frente de uma personalidade assim e perguntar sobre política. Coisa triste estar na frente de uma personalidade assim e perguntar sobre coisas que não são verdade tentando fazer crítica do imperialismo uiuiuiui hollywood americanos. Coisa triste estar na frente de uma personalidade assim e perguntar sobre seu corte de cabelo, sem nenhuma vocação para humor ou tiradas espertinhas.

Um dia verei pessoas serem entrevistadas nesse país sem ser questionadas a partir de visões recalcadas, desinformadas e anacrônicas. Na verdade eu já vejo algumas, mas não divulgo muito para que a vergonha alheia seja despertada em toda a nação de intelectualóides que questiona.

Ninguém sabe o que está fazendo. Só que alguns admitem. E isso faz bastante diferença nesse caso.

16.10.08

Sucesso pra ti e pros teus, cara

Dentre muitas coisas e pessoas que estão me dando orgulho nos últimos tempos, é preciso destacar que o novo livro do meu irmão já está à venda. Seguindo a tradição, comprarei em breve e fruirei como leitor comum que sou. Nada mais idiota do que ter acesso a versões preliminares de literatura só pela proximidade (bastante óbvia) que se tem com o autor. É tão babaca quanto entrar de graça num show que custa cinco reais (aniquile o seu jornalismo interior).

De forma análoga, com pouco ou nenhum sentido, tenho vontade de voltar para lugares que me impressionaram. San Francisco, Berlim, suas safadas. Me deixem em paz.

Longe disso, estou fixo em Porto Alegre. Tocando, de novo. Trabalho vai muito bem, obrigado. Casa nova, também. Tenho cozinhado menos do que gostaria, mas jogado muito Smash Bros com a Júlia e vez que outra com meu irmão via wi-fi. Fundamental poder lavar a louça todos os dias. Adoro.

Texto confessional para um exílio que não vivo. Agradeça a falta de advertência.

11.10.08

Cartola faria 100 anos hoje

Faz um belo dia chuvoso em Porto Alegre. Ideal para louvar Cartola, o maior artista que esse país já produziu. A saída é encher a cara, ouvir discos fatais e tentar arranhar um violão em homenagem ao auxiliar de pedreiro e lavador de carros mendigo que virou o mito fundador de toda uma cultura. Não existiria resquício de samba nos dias de hoje se não fosse por ele. Mas tal qual um Bob Marley, teve seu gênio vilipendiado por almas frouxas que não souberam absorver sua sabedoria. Um motivo a mais para se recolher e apenas refletir.

Já expressei minha gratidão por Angenor em um texto em que tento compará-lo aos pais do blues do Mississipi. Mas outra coisa importante sobre a música dele é o que notei hoje: é impossível se acostumar. Sempre que paro para realmente prestar atenção na letra e no andamento que ele dá à declamação, acabo invariavelmente sendo obliterado por alegria e tristeza profundas. Conta-se nos dedos de uma mão quantos músicos conseguiram imprimir efeito similar à minha pessoa. Algo que posso classificar como regozijo absoluto.

Cantemos, então.

Ah, essas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ah, este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão
Compreende porque perdi toda alegria
E no entanto meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher
Até hoje está nos esperando
Solte o teu som da madeira
Eu você e a companheira
Na madrugada iremos pra casa
Cantando…

27.09.08

Dimaiz

Grande notícia na Zero Hora para resumir toda a demência de Porto Alegre. Respire fundo, concentre-se nos grifos (meus) e descubra a verdade:

Viaduto abre nova rota na Capital

Após dois anos em construção a obra que fará a ligação da Terceira Perimetral com os bairros Humaitá Farrapos e Anchieta e com a freeway será liberada hoje para a circulação de veículos

A partir das 9h de hoje, motoristas que circulam pela zona norte da Capital terão uma nova rota para tentar escapar dos congestionamentos. Será liberado o trânsito sobre o Viaduto Leonel de Moura Brizola, obra que fará a ligação da Terceira Perimetral com os bairros Humaitá, Farrapos e Anchieta e com a freeway (BR-290).

Em construção há dois anos, as duas alças do viaduto cruzam por cima dos trilhos do trensurb, próximo de onde ficava a estátua do Laçador. Agora, a Rua Dona Teodora passa a ter ligação direta com as avenidas Edu Chaves e Ceará. Assim, o caminho ao bairro Humaitá, que até então tinha a Avenida A. J. Renner como única opção, deverá se tornar mais fácil.

Com a obra, a expectativa da prefeitura é de que a região ganhe investimentos nos próximos anos. Contudo, o principal objetivo do projeto é fazer a conexão com a freeway, o que desafogaria o trânsito na Avenida dos Estados.

Como a pista da Dona Teodora foi duplicada, a projeção da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) é de que os motoristas utilizem a via para acessar à freeway, especialmente aqueles que desejam seguir rumo ao Litoral Norte.

O problema é que ainda não há uma rótula de acesso à rodovia, que facilitaria o fluxo de veículos. De acordo com a prefeitura, essa obra será construída pela Concepa, responsável pela estrada, mas ainda não há previsão para o início dos trabalhos.

Mesmo assim, o roteiro já pode ser usado como alternativa para fugir da Avenida dos Estados. É necessário voltar cerca de 50 metros pela Rua Voluntários da Pátria até ingressar na freeway.

Quem usa a Avenida dos Estados também deverá notar melhorias no trânsito. Com a mudança da estátua do Laçador, a via foi alargada e passou de três para quatro pistas. A Secretaria Municipal de Obras e Viação acredita que, em breve, os motoristas notarão o resultado das obras na região.

— É uma boa opção, principalmente para o final da tarde, quando aumenta o fluxo de veículos — disse o secretário-adjunto de Obras, Adriano Gularte.

Palavras-chave que resumem tudo: terceira perimetral, sete anos, noventa e seis semáforos, freeway já fica trancada todas as manhãs sem essa obra, todos os caminhos levam ao litoral.

25.09.08

Rápida passagem

Blog estacionado, mas novidades por aí. Sim, vou mudar tudo. Enquanto não rola tempo nem de pôr o novo layout no ar, alguns flashes:

  • Bem decente esse Little Joy, banda do Rodrigo Amarante com o Fabrizio Moretti. Nada demais, apenas bom de ouvir;
  • O último disco do The Verve é absolutamente fenomenal. Melhor coisa que ouvi esse ano, certamente;
  • O disco solo do Conor Oberst é uma porcaria;
  • O churrasco da Galpão Crioulo é muito bom, ao contrário da farsa imensa que eu previa. Destaque para o matambre recheado, sinal de absoluta dignidade;
  • Glut é um belo livrinho de história. Ciência da informação: menos;
  • Obama vai perder;
  • Impossível não anular voto para prefeito em Porto Alegre: Onyx teria chances, e resolveu se juntar com o Mano Changes; Maria do Rosário sofre de demência messiânica (ESPERANÇA, PRESENÇA, CORAGEM); Fogaça e Manuela têm a mesma propaganda eleitoral; cogitei Luciana Genro, mas ontem ela admitiu não saber o que é uma multinacional, apesar de ser contra; Vera Guasso, Marchezan: não, obrigado;
  • Esse russo tem ótimos wallpapers.

Voltando ao estado de hibernação de olho aberto. Mais freqüente no micro-blogging.

10.09.08

Cientista gonzo

These days, most people are wise to the moon’s harmless party trick. But out here in western Mongolia, old beliefs run strong. There you are, going about your business–watching your animals graze, scraping your hides–when the sun starts to wither. It should be a burning hot day like any other, but the air suddenly cools, the light dims, and the shadows under the trees become constellations of glowing crescents. The animals lie down as if night is coming. The birds sing their dusk chorus. Then, in a flash, the sun turns into a diseased-looking sore, a cold black hole rather than a giver of life. Dogs howl, children cry. The world is ending.

Excelente relato de John Bohannon na Science. Com uma equipe de astrônomos, ele esteve na Mongólia acompanhando um eclipse total do Sol. Foco, no entanto, na experiência direta com os povos locais. Uma relação xamânica com um evento do universo perdurando nos dias de hoje é, no mínimo, fascinante.

07.09.08

Algum dia irei

04.09.08

Vanderburgo e a manicure

Quase nunca falo de futebol, mas hoje serei obrigado.

- Com certeza nós estamos incomodando o Grêmio. São dois jogos apenas de diferença e nossa idéia é incomodar ainda mais – comentou Jumar, que continua como titular na partida com o Sport, já que Pierre não tem condições de jogo.

Diego Souza afirma que o primeiro tropeço do Grêmio pode acontecer no sábado, contra o Fluminense, no Maracanã. O palmeirense se baseia no retrospecto do Tricolor gaúcho contra equipes cariocas no Rio

- Ainda tem muita coisa para rolar. Com certeza, o Grêmio vai tropeçar e não será uma ou duas vezes e, sim, várias. Contra o Vasco, o gol da vitória saiu nos minutos finais. Vamos chegar. Podem ter certeza – projeta. [André Lima]

É por causa disso que essa gente nunca vira ídolo. É por causa disso que um bandido como o Diego Souza jamais poderá pisar no Olímpico de novo. É por causa disso que uma torcida abomina um craque como Ronaldinho, mas cai de amores por um tosco completo como o Sandro Goiano.

Um jogador pode ser ruim, como Pereira ou Goiano, mas se der sangue pelo time, sempre merecerá lugar no panteão. Isso é coisa que não entra na cabeça de gente lamentável como Amoroso, Léo Lima e Paulo Nunes, que cuspiram no escudo do Grêmio com a mesma facilidade que entraram pela porta da frente do estádio.

Guardei essa tela do minuto-a-minuto do Globoesporte pouco antes de ele ser excluído. Será meu lembrete diário de integridade e honra que torna tão especial torcer por um time que tem o melhor ataque do campeonato, a melhor defesa do campeonato, os jogadores mais íntegros e, que ainda assim, “joga um futebol feio e tropeçará sem parar até o final”.

Grêmio, imortal até quando não joga. Obrigado.

20.08.08

Ventilando a sala

No mínimo curiosa a sensação de estar num apartamento totalmente vazio. Especialmente quando, mesmo sem luz, posso me conectar à Internet.

Um notebook e um modem 3G emprestado me ajudam a continuar trabalhando e a passar o tempo um pouco mais rápido. Sentado no chão, posso ouvir claramente o eco causado pelo impacto dos meus dedos no teclado. Uma pitangueira cobre parcialmente a janela que dá para a rua, de onde vêm uma brisa excelente e o som de carros passando na rua de paralelepípedo.

Mais uma mudança de endereço por vir e eu sempre achando que será definitiva. Na verdade não: trabalhamos com a suposição idiota do que será o futuro, como se realmente fosse tão simples construi-lo. Não sou um assessor do destino, mas uma porção gigantesca de mim simplesmente diz que os fenômenos acontecem, e nós temos que lidar com eles. É dessa relação cotidiana que se faz um existência sadia, e não de sonhos ou super metas hiper-mensuráveis e alcançáveis.

O mais engraçado, no entanto, é que as duas visões acabam redundando na mesma coisa. Parece que a primeira é sempre mais simples e menos trabalhosa, mas jamais conseguirei provar.

Até porque agora tenho que comer um Hägen-Dazs de banana, porque não há geladeira.



Busca

Flickr

Publico

Favoritos

RSS