O Wordpress 2.5 é fabuloso. Vi gente meio horrorizada quando testou, mas assim que se quebra o estranhamento natural de ver uma interface antiga substituída por uma nova, é puro deleite.
O redesign foi feito pela HappyCog, dos meus ídolos Jeffrey Zeldman e Jason Santa Maria. Eles pertencem ao farol que deveria guiar sempre design e desenvolvimento para web.
Há alguns minutos procurei informações sobre o ingresso de um show que pretendo assistir na semana que vem (Fernanda Takai, para os curiosos). Insatisfeito com o serviço de todos os guias culturais online da cidade de Porto Alegre, resolvi depositar minhas esperanças no site da produtora do evento. De fato, encontrei o que procurava (data, preços) de forma rápida, mas notei algo bastante interessante.

Está aí um exemplo do que acontece quando se negligencia a semântica do código de marcação do seu site. Associando-se uma navegação em Flash, temos mais que problemas de acessibilidade e usabilidade: o site é encontrado, mas a descrição dele não faz sentido algum. E pior, nesse caso: revela detalhes internos da produção (como esse comentário sobre o header), bastante dispensáveis num lugar tão nobre quanto a primeira colocação de um resultado de busca do Google.
Fiz uma busca por algo bastante determinado, pois já sabia que a Opus estava envolvida com o concerto. Mas se eu tivesse procurado por algo genérico, porém óbvio, como “fernanda takai porto alegre”, nada teria encontrado relacionando os dois. Pelo menos até a terceira página de resultados, o site da empresa não apareceu.
Ando acompanhando todo o debate sobre version targetting no IE 8 há um bom tempo. Legal ver que mesmo as opiniões mais extremadas têm seus fundamentos. Além do artigo do Diego Eis, recomendo dois textos com conclusões diferentes, mas que também acabam se complementando: Jeremy Keith, que acha que o IE 8 não renderizar segundo os web standards por default é o mesmo que decapitar alguém para curar dor de cabeça e; sempre ele, Jeffrey Zeldman, que acha que desenvolvedores e designers devem mais é comemorar pelo Explorer não ser mais um browser do demônio.
Resumo muito sintético para quem tá ouvindo falar disso pela primeira vez: em dezembro último, o IE 8 (que ainda não foi lançado) passou no teste Acid2 . Com isso, entrou para o time de browsers que renderizam sites seguindo os web standards da melhor forma possível, a exemplo do Firefox e do Opera.
No entanto, o pessoal da Microsoft tinha optado por criar uma chave (usando uma meta tag) para habilitar essa versão “boa”. Por padrão, o IE 8 continuaria renderizando sites de forma esdrúxula. O motivo: com o lançamento do IE 7 (que passou a se comportar 90% melhor que a praga do IE 6), milhões de sites mal codificados passaram a quebrar, deixando desenvolvedores tabajara e clientes desesperados. O nome disso em negócios todo mundo conhece: preju.
Essa chave foi o motivo de tanta discussão. Gente achando que era ótimo, pois pelo menos existia possibilidade de deixar o IE 8 “tunado”. E gente ultrajada e um tanto fanática, argumentando que colocar uma linha num código deixaria-o menos semântico, e que isso era um contra-senso e mais uma burrada infinita do pessoal de Redmond.
Pois bem: o time do IE anda apostando firme em ouvir a comunidade e dar suporte aos padrões. Sim, eles fizeram e sim, eles estão sendo muito corajosos: na verdade, o IE 8 será web standards friendly por padrão. Isso foi anunciado ontem, e deve ser comemorado com carros de bombeiros cheio de gente bêbada em cima.
Só irá desagradar algumas partes: os detratores irracionais, que atiram para todo lado para criticar qualquer suspiro da Microsoft e, talvez mais importante; o pessoal da Mozilla e outros, que terão de se mexer (e logo) para enfrentar, ao que tudo indica, a mais sangrenta das batalhas entre browsers de que se tem notícia.
Os beneficiados seremos nós. Que se matem.
[Depois de escrever esse post, agilizei-me e fui baixar o Internet Explorer 8 Beta. Testo-o nesse exato momento, e já achei simpático o botão “Emulate Ie7″ na barra de ferramentas].
Está mais do que claro para desenvolvedores que um código de marcação bem formado e obedecendo critérios semânticos é a chave para que um site se saia bem em todos os aspectos: usabilidade, acessibilidade, SEO e integração com bancos de dados e CMS. Vender esse conjunto de especificidades é simples na teoria, e pode parecer também fácil na prática. Só que não é bem assim.
Sobre isso, há um bom post do Élcio respondendo uma pergunta feita depois da sua palestra no Intercon 2007: como fazer com que o cliente pague por padrões web, acessibilidade e toda essa qualidade, quando há gente por aí desenvolvendo sites a R$ 70,00?
Padrões web, usabilidade, acessibilidade, Ajax, tudo isso tem um custo, mas não é isso que seu cliente compra. (…) É uma questão de números, R$ 25.000,00 pode ser muito barato se você puder mostrar a ele que vale a pena.
Mostre a seu cliente quanto dinheiro ele vai ganhar, ou quanto ele vai poupar. Dê a ele segurança disso, e ele vai achar seu preço barato.
Esse discurso deve ser aliado à explicitação dos benefícios que um bom código pode trazer: melhor posicionamento nas buscas do Google, maior acessibilidade a pessoas com deficiências ou dificuldades técnicas, melhor portabilidade para dispositivos móveis, entre outros. Mas, por incrível que pareça, às vezes tudo isso pode simplesmente não funcionar.
Já consegui deixar clientes plenamente cientes das vantagens de um site desenvolvido seguindo web standards, evitando texto e navegação em Flash e animações que levam 15 minutos para carregar numa conexão banda larga. Chegaram até mesmo a concordar com a direção sugerida para a produção do projeto.
Só que isso pode simplesmente mudar de uma hora para outra. Algum diretor pode aparecer do nada e dizer que o site precisa ser todo em Flash, igual ao dos seus concorrentes (que são horríveis e funcionam mal). Nada importa nesse momento, a não ser a (falsa) impressão visual vendida pela maioria das agências digitais do país.
O desenvolvedor fica de mãos atadas até mesmo quando alia seu conhecimento técnico a uma explicitação clara de vantagens competitivas e de retorno de investimento. Assim como existem executivos que não compram esse negócio de site aí, como o próprio Élcio falou, também ocorre o segundo fenômeno: quero um troço bonito e que encante, não importa quanto vai custar, nem que 70% dos usuários fechem o site na capa sem nem mesmo esperar carregar o Flash de abertura. E o pior: algumas vezes essas pessoas reconhecem que você está certo, mas respondem algo como vamos deixar o site acessível e bom para dispositivos móveis num segundo momento. Alguns não se importam nem quando é provado que isso implicará em custos adicionais que poderiam ser abatidos num único projeto bem feito!
Já li muitos artigos a respeito disso, e quase sempre se toca em dois pontos: educação (de cliente, mercado e dos próprios desenvolvedores) e falar a língua certa (mostrar onde e como se vai ganhar mais dinheiro e/ou reduzir custos). Ambos estão corretos e precisam ser considerados, mas vejo pouca gente considerar o fator do horror absoluto e aleatório presente em todos os fatos da vida: às vezes simplesmente não dá para usar a razão, e as coisas nem sempre podem ser previstas.
Particularmente, estou adotando o lema do Zeldman para os casos mais graves da aleatoriedade sem sentido. Alguns profissionais são do tipo “deixa comigo” e fazem tudo que o cliente quer. Realmente admiro gente assim, porque conseguem tocar todos os projetos até o fim, seja qual for o obstáculo no caminho.
Eu devo ser mais temperamental, ou possuir um instinto maior de auto-preservação. Portanto, quando aparece um caso como relatei anteriormente (surge um elemento que passa por cima de tudo que já foi acordado), geralmente pego minha mochila e dou no pé. Se precisar sobreviver fazendo outra coisa, corto a grama dos vizinhos, que é algo bem mais digno.