Em novembro do ano passado, deixei meu antigo emprego atrás de mudanças. Durante alguns meses, atuei em pequenos projetos fazendo das coisas que mais gosto: XHTML e CSS, dessa vez do meu jeito, com codificação radicalmente focada em web standards.
Um pouco de canto, também participei de algumas consultorias rápidas em projetos de comunicação baseados em ferramentas de colaboração e redes sociais. Foi o vislumbre de um viés um pouco diferente na minha carreira, que eu comecei a levar paralelamente sem muita pretensão.
Eis que aqui estou, num hotel em Curitiba, me preparando para voltar para Porto Alegre no feriado e em breve dar mais um pulo em São Paulo. Agora, oficialmente, sou um consultor full time. Meu trabalho envolve temas que sempre estudei, mas que pouco apliquei por falta de oportunidades.
Então, meus poucos leitores podem se preparar para posts menos técnicos e um pouco mais relacionados a disciplinas derivadas ou relacionadas ao bom desenvolvimento web: análises de usabilidade, acessibilidade e arquitetura da informação certamente terão vez por aqui, já que agora estou podendo vivenciar a prática no dia a dia.
Espero que ninguém se ofenda com nada. E vamos lá.
A idéia de ter um blog dedicado a desenvolvimento na web sempre esteve presente. Faltavam os meses de indecisão e dúvida para finalmente colocar a idéia em prática, e acho que agora é o melhor momento possível.
Trabalho com o que se convém chamar de front-end development desde 2000. Comecei estagiando num pequeno núcleo digital de uma agência de publicidade de Porto Alegre, mas comecei a mexer com HTML muito antes. A primeira conexão caseira à Internet foi em 1996, quando a Plug-In ainda era um provedor de acesso, e modems de 14.400kps eram um luxo só.
Como quase todo mundo, tive uma "página pessoal", que não tinha serventia alguma, mas me forçava a mexer em código sem ter a menor noção do que estava fazendo. O saudoso Composer foi muito útil. Jamais usei o FrontPage, porque naquela época a superioridade da Netscape era tão evidente que não parecia fazer sentido tentar usar produtos da Microsoft. Algum tempo depois, migrei para o insubstituível Allaire Homesite que, pasmem, uso até hoje. Claro, na versão 5.5, já comprada pela Macromedia, e descontinuada para todo o sempre em favor do intragável Dreamweaver. Sim, já tentei umas cem vezes, mas nunca vou conseguir usar esse aplicativo confortavelmente. Coisas da vida.
Depois daquele estágio, fiz três anos de residência (como gosto de apelidar) no portal Terra, trabalhando no que chamávamos e ainda chamamos de webmaster. Entrei para popular a ferramenta de busca antiga que, como quase tudo, era alimentada à mão. Google existia, mas nem se cogitava que pudesse fazer frente ao Yahoo. Logo, a automatização foi inevitável, e eu me voltei para o que já sabia fazer: atualizar sites, colocar conteúdo novo, fazer alguns do zero sozinho ou com mais gente. Aquela mistura inevitável de HTML, CSS incipiente, Photoshop intuitivo e um pouco de sorte. Era bastante divertido.
Resumindo um pouco mais a história, fiquei quase seis anos na empresa, e assumi de vez o título de desenvolvedor de interfaces. Minha equipe mudou de nome umas três vezes, sempre tentando melhor adaptar-se à necessidade dos clientes internos e à realidade do mercado e da profissão. Não preciso dizer que isso nunca deu muito certo, e que a porcentagem de pessoas que sabiam o que fazíamos efetivamente era de, no máximo, uns 10%. Isso é uma realidade que permeia essa atividade e outras correlatas, e certamente me aprofundarei no tema em posts vindouros.
Para finalizar, quero distingüir bem a missão desse blog:
- Não farei tutoriais: isso é o que mais tem por aí, e pessoas muito mais qualificadas do que eu. Sempre que houver algo técnico legal para indicar, farei-o;
- Não copiarei conteúdo de outros blogs, nacionais ou internacionais: a maioria dos blogs de desenvolvimento que vejo se resumem a copy/paste de coisas que se leu em outro lugar, com no máximo uma linha de autoria própria que geralmente não serve para muita coisa. Como no item anterior, se houver alguma recomendação de leitura, darei a referência e era isso;
- Criticarei a atividade e suas áreas correlatas: o hype atual em torno dos termos design de interfaces, arquitetura da informação e usabilidade é quase insuportável. Tudo é ciência, tudo é arte, tudo está começando, e quanto mais fala-se a respeito, mais confuso fica. Martelarei muito esse assunto, porque otimismo demais vira euforia descontrolada, e isso faz mal;
- Haverá possivelmente entrevistas com profissionais e colaborações. Não será um blog coletivo, mas publicarei artigos de gente boa que, ainda bem, existe por aí.
É por aí. Tenho várias idéias, mas é melhor parar de ficar elocubrando e começar a escrever. Assim que houver um número mínimo de posts, acho que ficará mais clara a identidade do blog todo (o que ainda é um mistério mesmo para mim).
Obrigado pelo interesse, e espero que todo mundo se divirta.