Stephanie Sullivan, desenvolvedora front-end que participará da edição de abril do An Event Apart em New Orleans, responde ao público sobre algo que interessa a todos nessa área: depois de fazer tanta coisa diferente, como se concentrar em linguagem de marcação e ser valorizado pelo mercado?
Com a palavra, Mrs. Sullivan:
The companies that hire me, however, understand the value both to their bottom line in development and maintenance hours, and to their clients’ bandwidth savings and search engine placement. I’m contracted at times to oversee the plan for a project and advise on semantics and accessibility—to take code already written and make it more succinct and efficient, or to troubleshoot a challenge that has developed. I also train larger companies’ web departments to do what I do. I get great joy from helping people “get it.” To me, there’s nothing better than to watch that “aha” moment!
Nunca é demais lembrar dos benefícios trazidos por um código bem estruturado, limpo, organizado e semântico. E como ela mesmo diz, poupa horas de manutenção, banda dos servidores e ainda por cima melhora a achabilidade dos sites.
Se são chavões ou simplesmente um retrato da realidade, acho melhor concluir lendo todo o depoimento dela. Mas é interessante notar que, mesmo guinando sua área atuação em codificação, a utilidade dos conhecimentos pode (e deve) permear todo um projeto.
Já que o texto sobre os anúncios de emprego na área de desenvolvimento web gerou alguma movimentação, segui pesquisando. O panorama, em nível mundial, não é muito diferente daquele traçado no post, o que gera alguma ansiedade para saber quando as coisas vão mudar.
Mas como foi dito, sempre existem as gratas exceções, onde o descritivo da vaga parece realmente fazer sentido para o que ela representa profissionalmente. Um dos lugares com o maior índice de acertos, na opinião deste que vos escreve, é o quadro de oportunidades da Opera Software.
Amo o Opera incondicionalmente. É meu browser favorito, e não substitui o Firefox apenas pelo fato deste último ter plug-ins e extensões que são indispensáveis ao meu trabalho. Não fosse esse detalhe, abandonaria de vez a Raposa, que tem estado um tanto quanto dormente no que diz respeito a lançar a sua terceira versão e resolver problemas graves (como o fato do programa aberto, com umas duas abas, ocupar quase 70Mb de memória RAM). Usei o Beta do Firefox 3 e não tive nenhum vislumbre de melhora nesse quesito.
Voltando à Opera: além do compromisso com web standards, a empresa parece quase suplantar o Google quando o assunto é o trabalho dos sonhos. Fiquei particularmente cativado por esse aqui:
This job involves providing support for Opera’s developer customers and Opera’s internal developers through community evangelism, developer outreach, networking, and feedback solicitation. These goals are to be achieved via travelling to web development conferences across the world to represent Opera, blogging, e-mail, article publication, and any other appropriate methods of communication. Preferably, the individual would also contribute to the growing dev.opera.com developer resource site, through writing and editing articles, and responding to forum posts. (…)
Divulgar o Opera no mundo fazendo evangelização dos infiéis blogando, respondendo e-mails, publicando artigos e indo a conferências e ainda receber por isso? Nem me fale, tio. Agora, a cereja no topo é isso aqui:
Please submit your application using HTML 4.01 strict or XHTML 1 Strict.
Encerro aqui porque meus dedos estão se afogando na poça de lágrimas que virou o meu teclado.
Há algum tempo atrás, eu havia escrito um texto no meu blog pessoal que comentava os benefícios do desenvolvimento em camadas. Achei que ficaria um pouco constrangido em reler, mas tanto ele quanto a discussão (curta) que se seguiu estão bem mais atuais do que eu imaginava.
Pesquisando alguns anúncios e vagas na área de interfaces por todo o Brasil, me surpreendi o quão esquizofrênico continua o mercado. Há grandes avanços, especialmente em empresas menores, que conseguem sacar mais rápido as mudanças tecnológicas e as demandas decorrentes disso. Algumas empresas grandes também estão se mexendo, mas estamos longe de ver algo mais definido no que diz respeito às competências a serem desenvolvidas, tanto por designers quanto por codificadores de front-end e programadores.
Citarei um exemplo anônimo, para ilustrar. O anúncio da vaga é real, só omiti o nome da empresa e mudei um pouco para descaracterizar a forma. A essência, no entanto, permanece intacta.
Cargo: Web Designer
Descrição: webdesigner com muita criatividade e conhecimentos em design visual e recursos de programação web.
Domínio de: html, css, javascript, php, photoshop, flash. Desejável ASP.
Todos sabemos bem que web designer é um termo tão vago quanto o famigerado webmaster, mas será que só eu fico desconfortável que o cara tenha tenha que dominar Photoshop, Flash e linguagens de programação? A discussão aqui é ampla, mas sigo na posição que externei nesse comentário: conhecimento adicional sempre é benéfico, mas será que alguém tem condições de desempenhar papéis tão diversos de uma forma tão uniforme? A pergunta é: um designer conseguiria entregar layouts de qualidade ao mesmo tempo em que precisa se preocupar com a programação do banco de uma loja virtual?
A resposta deve ser sim, porque esse tipo de anúncio continua dominando os classificados. Conheço milhares de faz-tudo realmente competentes, que se desdobram e fazem websites de cabo a rabo. Mas não conheci um que não pecasse de alguma forma em alguma das partes. Ora se faz um layout magnífico e um script pra funcionar, ora temos um layout fraco com um banco muito bem estruturado e programado.
E quem fomenta essa situação? São as empresas (por quererem contratar uma pessoa para fazer de forma meia-boca o trabalho de três), os clientes (por desconhecimento das práticas envolvidas, o que é bastante perdoável), mas, principalmente, o profissional (que não se valoriza em sua área específica na hora de aceitar um trabalho ou porque, como sabemos, a realidade é dura e temos que botar comida no prato).
O anúncio que reproduzi é nacional, mas é muito comum ver isso em qualquer site de empregos, seja daqui, de Londres ou da Irlanda. O multi-tarefa que atira para todo lado é buscado em todo o mundo e, infelizmente, o webmaster ainda não morreu, como preconizou o Felipe Memória no seu excelente livro. Nós queremos enterrá-lo, mas não será assim tão fácil.
E existe alguma luz? Claro que sim. Comentei antes que algumas empresas estudam e incorporam melhores rotinas de desenvolvimento, mas que isso infelizmente ainda é para a minoria. Procurando apenas por “html” no MyCareer da Austrália, a primeira ocorrência foi um anúncio bem diferente do anterior. Reproduzo os trechos mais relevantes:
HTML Developer
Job Role:
* Developing websites from wireframes using XHTML, CSS and JavaScript.
* Liaising with creative design team.
* Develop content for integration into .NET projects.
* Involvement in the design process, assessing the creative look and feel.
Skills:
* Advanced CSS, XHTML, JavaScript and web browser DOM support.
* Knowledge of SEO techniques.
* Full understanding of the W3C compliance standards.
* Knowledge of Interface Design, Accessibility, and Usability principles.
Para mim, isso parece muito mais razoável e focado. O cargo pode parecer meio genérico (ou simplista), mas a descrição das competências e dos conhecimentos necessários para desempenhá-la me pareceu perfeita. Tomara que isso torne-se mais comum no meio da confusão instaurada.