Como todo desenvolvedor também venho acompanhando, com um misto de curiosidade e temor, a discussão que gira em torno do próximo passo em linguagem de marcação para a Web.
Para resumir a questão: há uma divisão de gente trabalhando no HTML 5, alguns dentro do W3C, outros do lado de fora. Fora isso, temos as polêmicas documentações do XHTML 2.0 e as diretrizes de acessibilidade do WCAG2.0, que foram rechaçadas por quase toda a comunidade, que acabou na sua maioria abraçando uma errata da primeira versão.
No olho do furacão está o W3C, pretensamente vivendo uma crise de identidade e de liderança que já foram inquestionáveis no meio. Gente como o Zeldman acha que se está fazendo muito barulho por (quase) nada, mas reina uma desconfiança nunca antes vista em relação ao órgão que costumava balizar quase tudo no que diz respeito a desenvolvimento.
Em artigo essa semana no A List Apart, Lachlun Hunt dá uma geral na situação do HTML 5, esclarecendo alguns pontos que andavam um tanto obscuros. Há mais gente ajudando o W3C no projeto, o que é algo muito saudável para chegar-se a uma solução mais democrática. De organizações não-governamentais a empresas, parece haver um grupo bastante plural dando pitacos nos trabalhos.
No entanto, novos desenlaces estão gerando mais discussões acaloradas. Fora a previsão de término do projeto daqui quinze anos, há alguma polêmica com o novo modelo de marcação e as tags que serão usadas para isso.
Segundo o texto ilustrou, o que temos hoje em XHTML assim:
<div id=”header”></div>
<div id=”nav”></div>
<div id=”article”>
<div id=”section”></div>
</div>
viraria:
<header></header>
<nav></nav>
<article><section></section>
</article>
O argumento é que isso é mais claro, organizado e semântico no que diz respeito à interpretação correta dos elementos pelos dispositivos utilizados durante a navegação.
Mas será que isso não tornaria o HTML algo excessivamente específico? Apesar de longe do ideal no que diz respeito à organização, o XHTML 1.0 permite uma boa flexibilidade com o emprego de IDs. Quem conhece web standards sabe onde os elementos devem ser usados, que <h1> é um título de nível um e assim por diante. Entretanto, poder jogar com DIVs para fazer a divisão do código conforme a disposição do conteúdo é uma grande vantagem, ao meu ver.
O projeto, como visto, está longe de estar pronto. A discussão que surge até agora só beneficia todo mundo. Mas na hora de dar o passo adiante e adotar o novo caminho, não se pode prever se será um sucesso ou um grande tiro no pé.
Bruno Galera, 26 anos, vive em Porto Alegre e trabalha principalmente com desenvolvimento de interfaces. Confira o perfil completo ou entre em contato com o autor.
Código Bala é um blog sobre desenvolvimento web escrito por Bruno Galera. Entre em contato.
Não acho que isso tornaria o HTML excessivamente específico. A idéia não seria eliminar os divs e spans, ainda úteis como curingas, mas acrescentar elementos que se tornaram necessários e têm que ser improvisados. Isso não impediria ninguém de usar, se quisesse, um , assim como hoje é possível usar um em vez de um , por mais errado que seja.
O fato é que tanto do ponto de vista de SEO como do ponto de vista de Acessibilidade isso são boas notícias: permitem que os conteúdos sejam organizados e padronizados de uma forma que é só marginalmente possível hoje. Além disso, a idéia de tags de e como substituto a plugins proprietários é bastante saudável (ao contrário do XHTML 2.0, que quer acabar até com a img).
O que falta é só essa gente adotar o famigerado modelo “beta” e poder lançar atualizações de HTML com mais agilidade, em vez de demorar anos pra liberar um modelo que pode ficar obsoleto ou incompleto no meio tempo.