Código Bala!

Desenvolvimento web num piscar de olhos.

Desenvolvimento de interfaces e o mercado

Há algum tempo atrás, eu havia escrito um texto no meu blog pessoal que comentava os benefícios do desenvolvimento em camadas. Achei que ficaria um pouco constrangido em reler, mas tanto ele quanto a discussão (curta) que se seguiu estão bem mais atuais do que eu imaginava.

Pesquisando alguns anúncios e vagas na área de interfaces por todo o Brasil, me surpreendi o quão esquizofrênico continua o mercado. Há grandes avanços, especialmente em empresas menores, que conseguem sacar mais rápido as mudanças tecnológicas e as demandas decorrentes disso. Algumas empresas grandes também estão se mexendo, mas estamos longe de ver algo mais definido no que diz respeito às competências a serem desenvolvidas, tanto por designers quanto por codificadores de front-end e programadores.

Citarei um exemplo anônimo, para ilustrar. O anúncio da vaga é real, só omiti o nome da empresa e mudei um pouco para descaracterizar a forma. A essência, no entanto, permanece intacta.

Cargo: Web Designer
Descrição: webdesigner com muita criatividade e conhecimentos em design visual e recursos de programação web.

Domínio de: html, css, javascript, php, photoshop, flash. Desejável ASP.

Todos sabemos bem que web designer é um termo tão vago quanto o famigerado webmaster, mas será que só eu fico desconfortável que o cara tenha tenha que dominar Photoshop, Flash e linguagens de programação? A discussão aqui é ampla, mas sigo na posição que externei nesse comentário: conhecimento adicional sempre é benéfico, mas será que alguém tem condições de desempenhar papéis tão diversos de uma forma tão uniforme? A pergunta é: um designer conseguiria entregar layouts de qualidade ao mesmo tempo em que precisa se preocupar com a programação do banco de uma loja virtual?

A resposta deve ser sim, porque esse tipo de anúncio continua dominando os classificados. Conheço milhares de faz-tudo realmente competentes, que se desdobram e fazem websites de cabo a rabo. Mas não conheci um que não pecasse de alguma forma em alguma das partes. Ora se faz um layout magnífico e um script pra funcionar, ora temos um layout fraco com um banco muito bem estruturado e programado.

E quem fomenta essa situação? São as empresas (por quererem contratar uma pessoa para fazer de forma meia-boca o trabalho de três), os clientes (por desconhecimento das práticas envolvidas, o que é bastante perdoável), mas, principalmente, o profissional (que não se valoriza em sua área específica na hora de aceitar um trabalho ou porque, como sabemos, a realidade é dura e temos que botar comida no prato).

O anúncio que reproduzi é nacional, mas é muito comum ver isso em qualquer site de empregos, seja daqui, de Londres ou da Irlanda. O multi-tarefa que atira para todo lado é buscado em todo o mundo e, infelizmente, o webmaster ainda não morreu, como preconizou o Felipe Memória no seu excelente livro. Nós queremos enterrá-lo, mas não será assim tão fácil.

E existe alguma luz? Claro que sim. Comentei antes que algumas empresas estudam e incorporam melhores rotinas de desenvolvimento, mas que isso infelizmente ainda é para a minoria. Procurando apenas por “html” no MyCareer da Austrália, a primeira ocorrência foi um anúncio bem diferente do anterior. Reproduzo os trechos mais relevantes:

HTML Developer

Job Role:

* Developing websites from wireframes using XHTML, CSS and JavaScript.
* Liaising with creative design team.
* Develop content for integration into .NET projects.
* Involvement in the design process, assessing the creative look and feel.

Skills:

* Advanced CSS, XHTML, JavaScript and web browser DOM support.
* Knowledge of SEO techniques.
* Full understanding of the W3C compliance standards.
* Knowledge of Interface Design, Accessibility, and Usability principles.

Para mim, isso parece muito mais razoável e focado. O cargo pode parecer meio genérico (ou simplista), mas a descrição das competências e dos conhecimentos necessários para desempenhá-la me pareceu perfeita. Tomara que isso torne-se mais comum no meio da confusão instaurada.

(2) comentários em “Desenvolvimento de interfaces e o mercado”

  1. Juliana:

    Sem comentários então:

    Vaga: Analista de Produtos Pleno

    Descrição: Desenvolvimento de templates (HTML/CSS) para os produtos de responsabilidade desta área (FotoLog, Blog, E-Mail, Vídeos, Chat e Espaço Terra) nos 9 países da região Latam.
    Programação Javascript/Ajax para os mesmos produtos supracitados. Definição de fluxos de navegação (acessibilidade e usabilidade) para os mesmos produtos supracitados. Requisitos: Formação superior completa em Marketing, Webdesign, Publicidade ou Administração. Experiência mínima de 02 anos na função (ou similar) e ter atuado como desenvolvedor web por pelo menos 6 meses. Conhecimentos em HTML, CSS, Javascript e Ajax. Ferramentas MS-Office: Word e PowerPoint.

  2. Anita:

    Que tal esta?

    Web Master Jr – Terra SP
    Nível superior completo em Ciência da Computação. Inglês fluente e espanhol avançado.
    Especialização em programação C++, Visual Basic, Delphi, assembly, CLP e CNC, AS e OS, Auto CAD, Programação Basic, Delphi 5.0, Visual Basic. NET , Visual Basic 6.0, Clipper, Turbo C, Pascal, HTML, ASP.NET, ASP, Java (básico), C#.net, Web Standards, TableLess, Microsoft Office XP, WindowsXP/Server, SQL Server, Symantec, pcAnywhere, Ghost, Antivirus Corporate Edition, Linux.
    Conhecimento em linguagem de publicação web: Html, Python, Asp, Apsx; Ticcle, Javascript e Flash.

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O autor

Bruno Galera, 26 anos, vive em Porto Alegre e trabalha principalmente com desenvolvimento de interfaces. Confira o perfil completo ou entre em contato com o autor.

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