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Desenvolvimento web num piscar de olhos.

Sobre alguns mitos de interfaces web

Um dos paradigmas mais recorrentes no momento de conceber uma interface para a Internet diz respeito a um mito que tornou-se bastante popular com o passar dos anos: o de que usuários não usam a barra de rolagem (scroll) para navegar pelo conteúdo. Isso se origina de uma premissa parcialmente verdadeira, o que produz a confusão citada. Usuários não usam o scroll se a navegação não for fluida o suficiente, ou se ela não fornecer elementos que justifiquem tal ação.

Outro mito antigo, que já caiu por terra há um bom tempo, é de que os usuários só navegam pelos links fornecidos dentro do site em si. Isso é um absurdo, dado que já é senso comum que o botão "voltar" do browser, por exemplo, é o segundo elemento de navegação mais utilizado, depois dos próprios hyperlinks (NIELSEN, 1999). Ainda assim, pessoas continuam tentando interferir nas escolhas do usuário, que é quem deve decidir como quer fazer as coisas.

A respeito dessa sensação de onipotência sobre o que o internauta vai poder fazer enquanto navega, já ouvi pessoas querendo bloquear o aumento e redução de fontes feitos pelos softwares. Acho engraçado essa gente jamais perguntar por que seu layout quebra quando as letras mudam de tamanho e o que se pode fazer para corrigir isso no nível de codificação. Não, é muito mais sedutor tentar exercer um poder de cima para baixo, condicionando o visitante a uma (má) experiência.

Voltando ao scroll, que é um problema ainda bastante recorrente: clientes até pedem por isso, algumas vezes. Me parece que é um condicionamento oriundo dos designers, que ainda insistem nessa prática ou são seduzidos por abrir um site num pop-up despido de comandos de navegação padrão. Claro, a culpa não é toda deles, porque sempre vem alguma ordem superior. Mas eles têm sua cota de participação na história, é inegável.

Sobre isso, o Jared Spool fez um comentário rápido e incisivo, no contexto de sua apresentação sobre aroma da informação (tradução livre de scent of information):

Users scroll. Designers usually create barriers for this.

Como justificativa, usou um exemplo extremo. O site de uma empresa de componentes eletrônicos listava todos os seus produtos numa só página na capa, em três colunas divididas horizontalmente por categorias. Todos os produtos eram apresentados com seus nomes, linkados diretamente no texto azul e sublinhado. Horror para designers e arquitetos de informação, mas uma tentativa de mudança nessa estrutura redundou numa enxurrada de reclamações de clientes, que não consigam mais achar o que procuravam.

Tela de exemplo

Como dito, o exemplo é extremo. O público é muito específico (engenheiros eletrônicos e entusiastas), e provavelmente outras pessoas não teriam paciência de rolar uma tela imensa cheia de itens. No entanto, nesse contexto, uma tentativa de "facilitar" a navegação evitando o uso de scroll quase tornou-se desastrosa.

Por isso é tão importante refletir sobre esse ponto, não simplesmente decretando "não vamos usar rolagem" ou "teremos rolagem horizontal para diferenciar-nos do resto". Cada situação é diferente, e depende sempre do tipo e quantidade de informação, bem como os perfis de público que potencialmente tentarão se beneficiar dela.

(2) comentários em “Sobre alguns mitos de interfaces web”

  1. Walter:

    MORRI com o “(NIELSEN, 1999)”.

    Me$trado djá!

  2. bgalera:

    Ha! Mas essa lista está no livro do Nielsen de 1999, o Designing Web Usability. Saiu no site antes, mas achei de bom tom fazer a citação bibliográfica do jeito certo ;)

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O autor

Bruno Galera, 26 anos, vive em Porto Alegre e trabalha principalmente com desenvolvimento de interfaces. Confira o perfil completo ou entre em contato com o autor.

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